“Foi por causa do seu sorriso assumido de canto. De um jeitinho sacana de quem nasceu para ser livre, leve, solto e filho da puta. Foi por causa desse seu ar afirmando que consegue a mulher que quiser. Mas, principalmente, pelos seus abraços apertados de quem diz que eu sou um paradoxo sentimental: seu tudo e também nada. Eu tô aqui agora, mas não estarei aqui pra sempre. Mesmo você sendo esse, príncipe desencantado, que nem chega a ser sapo, que, segundo eles, só tem defeitos. E no fundo você sabe que eu sou diferente, mesmo sendo tão igual.”
É preciso começar a pensar na morte. Pode-se ir a qualquer hora. E isso estava em sua mente esta semana, não de forma pesada, mas como um fato. Morrer é uma parte da vida. A pessoa tem que se ligar nisso, se quiser tornar-se um ser humano em sua totalidade. E, se o fato de sua própria morte era difícil de ser entendido, pelo menos não era impossível de ser aceito.
Stephen King. (via recomendar)
Minha tristeza, na verdade, era falta de você. Era saudade. Era apego implorando pra não virar desapego. Era amor pedindo pra não ter fim, era amizade pedindo pra nascer de novo, era uma historia implorando um recomeço.
Bernadete Guedes.  (via inverbos)
Um dia eu acordei, mesmo quando eu não sabia acordar. Um dia eu dancei com as luzes, eu senti o gosto amargo dos sons na minha boca suja de sangue, eu vi máscaras quando eu não sabia criar metáforas e amigos com elas, eu sorri enquanto chorava por não saber diferenciar o que é dor e o que é vida, e até hoje confesso que tenho medo de ter me confundido pra sempre. Um dia eu vim ao mundo e o mundo me veio meio batido, meio fim de feira… Mas só tinha ele e só tinha eu. E era uma existência não espontânea, receita caseira, uma reação em cadeia que ocasionou em milhares de prótons, centenas de milhares e mais alguns milhões de átomos, tudo misturado feito carne moída em açougue, a eletricidade dos meus neurônios em festa… E foi então que eu chorei. Um dia, deitado no primeiro colo que me rejeitou, aprendi o que é perder a paz sem ter consciência suficiente pra conseguir apreciá-la, e agradecer. Eu tenho o cansaço enfiado dentro das minhas entranhas e inaugurei o pacote de desistência quando meus pulmões se acostumaram com o oxigênio desse mundo com cheiro de morte, exatamente no momento em que o resto da humanidade soube que eu estava vivo. O espelho ri da minha palidez e eu rio do meu futuro, por desconfiar que meus pés vazios repousam no cansaço. Que minhas retinas ficam mais ultrapassadas a cada dia que passa e eu me vejo passando, enferrujado, pelos riachos de uma imensidão descontrolada que é controlada pelo meu limite mental. O aquário é o oceano pra quem nunca saiu de lá. E o oceano vira um aquário pros peixes que não se contentam com o reflexo da Lua. E talvez o meu reflexo seja a felicidade primitiva e criativa. Aliás, se eu tivesse o poder de criar um mundo, eu não criaria. Eu me limitaria em deixar a barba crescer e viveria afastado nas montanhas utópicas, frágeis como as verdadeiras nuvens, aquelas livres dessa física humana e mortal. O tempo é, em suma, uma perda de tempo. E, principalmente, uma perda de sanidade. Eu seria o Criador daqueles que não nasceram, e eles me seriam gratos. Mas eu seria o Diabo daqueles que não morreram e estão no fundo do poço. No fundo do poço da minha mente, daquele buraco de onde eu nunca deveria ter saído, e não sei se um dia voltarei a entrar. Tirando por mim, o Universo é um desencargo de consciência e uma limpeza de espaço. As paredes do útero se desprenderam e um dia eu existi, quando eu não sabia existir. Nós, seres humanos, só não nascemos aprendendo a falar porque, se por falha da sobrevivência, nós pudéssemos, diríamos então: “mamãe, por que?” E o silêncio seria abortado. A mordaça seria retirada. E choraríamos, finalmente, pelo simples prazer de chorar.
— Cinzentos. (via poetadoalem)

queria viajar mas não tinha dinheiro fumei um baseado e viajei o dia inteiro.

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